O dragão das Fábulas foi em tempos um pequeno rebento, nascido num mundo pronto a descobrir. Como todos os seres que nascem pequenos, ao se descobrir a si e ao mundo, cresceu e ficou maior. Assim, o Pequeno Dragão se tornou um Jovem Dragão.
O Jovem Dragão viajou por vários territórios e descobriu um local onde gostaria de construir o seu Lar, e assim fez. O tempo passou e o encanto pelo lugar e os seus habitantes cresceu com ele. Criou amizade com o Guardião do Equilíbrio daquele lugar, o Grande Panda, que viu no Jovem Dragão o mesmo brilho de que as suas histórias antigas falavam. E com o tempo, os dois tornaram-se os melhores amigos.
O Grande Panda partilhou com o seu novo amigo os mais belos lugares que conhecia, e juntos contavam histórias um ao outro, divertindo-se e inspirando-se para as próximas viagens. O Jovem Dragão, que já sabia voar e que tinha visitado alguns lugares no alto das montanhas e do céu, não contava muito sobre estes lugares e evitava voar demasiado alto quando estava na companhia do Grande Panda. Não queria, pois, que ele se sentisse abandonado e triste por não conseguir ir a esses lugares fora do seu alcance.
Mas o Jovem Dragão estava ainda por descobrir que o compadecimento para com o seu amigo só era um entrave para ele mesmo. O Grande Panda era muito sábio e conhecia a habilidade de voar do Jovem Dragão. Sabia o propósito das formas e nem por isso se sentia a mais ou a menos com a condição de ambos. Sabia que no mundo, as coisas não têm de ser iguais, mas complementares, para que possam crescer umas com as outras. E por isso os dois amigos se davam bem.
Num dia inspirado, o Jovem Dragão sentiu vontade de falar sobre uma montanha de pedras altas e coberta de bambu que tinha visitado. A leveza de espírito que o Dragão sentia ao contar sobre a viagem, fez ele elevar-se no ar e gesticular com as patas e a cauda, dando vida aos detalhes da história. No fim confessou como seria bom se pudesse mostrar a montanha ao Grande Panda. Dizendo isto, o seu corpo pousou no chão e o seu olhar ficou em silêncio, apercebendo-se de que não poderia levar o seu amigo a esse lugar.
O Grande Panda olhou enternecido os olhos do Jovem Dragão e, sem hesitação, transformou-se numa grande águia. Ao seu olhar meigo juntou-se um sorriso de divertimento com a cara de surpresa do Jovem Dragão e acrescentou:
– Estou livre agora, podemos ir.
O Jovem Dragão ainda estava a recompor-se da surpresa. Tinha ficado sem palavras. O Grande Panda percebendo que havia uma lição a tirar daquele momento, estendeu as suas asas de águia e acolheu o Jovem Dragão no calor das suas penas, dizendo-lhe:
– Quando viveres tanto tempo como eu, irás entender que nada é permanente. Somos capazes de nos mudar e de mudar o mundo. Só não conseguimos mudar o amor que sentimos e que partilhamos. Tudo o resto é governado pela nossa imaginação.
O Jovem Dragão sentiu-se embaraçado e afagou a cabeça no peito de penas do Grande Panda. Tinha-se contido todo aquele tempo para não fazer o seu amigo sentir-se menor, e agora, apercebia-se que enquanto isso, também tinha condicionado o crescimento dele.
Quando chegaram ao topo da montanha, o Grande Panda voltou à sua forma habitual, para juntos poderem desfrutar do bambu que lá crescia. E não mais as suas viagens ficaram condicionadas pela terra, pelo ar ou pelo mar.
Desde esse dia, o Jovem Dragão ficou a compreender como era importante a expressão autêntica de si. E não voltou a presumir que a forma dos outros seres ditava o que eles conseguiam fazer ou quem eles poderiam ser. Quanto mais se permitia ser autêntico, mais grandiosidade conseguia reconhecer em todos. E juntos conseguiam inspirar-se para crescerem mais ainda.
Esta fábula é complementada com duas ilustrações de James Norbury, pela similaridade e inspiração dos personagens. Mais ilustrações da sua sabedoria zen ficam acessíveis na ligação ao seu instagram.
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